Crônicas

21/05/2014

AFAZERES DOMÉSTICOS

Numa eventualidade de separação do casal, pediria licença às mulheres para  fazer um pedido: não deixem o marido  sem antes ministrar-lhe um curso sobre afazeres do lar; mesmo que seja breve. Não importa que ele tenha, supostamente, dado causa à  separação, o certo é que, se o ex-marido optar por uma vida solitária, de abandono ou uma fase de adaptação, que não lhe seja sonegado o conhecimento mínimo sobre as lidas domésticas. Ao se separar, nem é relevante que a mulher lhe tire tudo o que puder, e o denomine exacerbadamente de safado, ou grosseiro, e que não o deixe levar nada dos pertences ou bens móveis e imóveis, louças, pratarias ou utensílios domésticos.  Ele vai  trabalhar e logo obterá as  coisas para si.

A camisa tricolor

Vejam só a terrível experiência que posso contar. Só, e  sem conhecer nada, nem sobrava  tempo para  me sentir um ermitão no apartamento do novo lar. A luta pela superação do cotidiano foi ganhando jeito na maioria dos casos. Lutando para não se ver em muquifo, vieram os desafios. Precisava provar que o homem pode e sabe muito bem viver só! A bela expressão logo enfrentou desventuras. Comida sobrando, roupa pelos cantos. Dois momentos cruciais! Um deles, ao colocar na água a fulgente  camisa  tricolor fiz ecoar pela vizinhança o hino do “Imortal”, dizendo ao mundo que a tarefa de lavar a nova  camiseta era  tarefa nobre demais para mulheres, já que pagara caro pela  raridade azul e branca com listras pretas alinhadas com perfeição. E resolvi emprestar mais dignidade  ao tanque que, ao ensejo, merecia mais que um ato banal, vulgarmente  tratado como temática de gênero. E assim desejei, jogando produtos, sabão especial e tudo o que dispunha. Ainda  eufórico aumentei o volume ao cantarolar os acordes de Lupicínio: “até a pé, nós iremos!!!...”. Após jogar o último ingrediente fiz a água jorrar! Deu tudo errado. Havia adicionado detergente e as cores se misturaram irremediavelmente! Desilusão! Soube, depois, que praticara gesto ignoto. E a camiseta, que custara o olho da cara, estava irrecuperável! Outros erros fatais serviram para um penoso aprendizado. Certo dia, contei essa história a uma amiga, esperando sua compaixão. Ao contrário, ainda esboçou sorriso indisfarçável para celebrar uma  vitória corporativa. Deduzi que vale o conhecimento que carrego, mais que o ouro e  a prata (bonito isso, NE?)!  Então, senhoras mulheres, tratem seus “ex” como quiserem, mesmo com alguma injustiça ao calor do atrito, exijam todo o dinheiro, mas, por favor, não lhes soneguem a informação, o conhecimento, os segredos da lida doméstica, para que ninguém mais neste mundo cometa o desatino de descolorir o manto sagrado dos pampas: a camisa Tricolor!     

 

Retoques:

·      Dias  atrás a Globo errou feio ao abrigar aparências ainda  reforçadas por atos falhos e viciados, comuns  no cotidiano. Manifestação num morro do Rio resultou em apedrejamento da viatura da polícia. Parece que a  revolta era justa,  mesmo que a televisão desse a primeira notícia qualificando os manifestantes  de bandidos. Depois veio a correção da notícia. Esta situação, comum em outras circunstâncias, reforça a idéia de que a linguagem “é a consciência prática”. A discriminação, às vezes velada, é muito comum.

·      O deputado idealizador da “Ficha limpa”, Marlon Reis, fará lançamento no próximo dia 28 do livro O Nobre Deputado. É um discurso cético sobre  qualquer proposta ética. Enfim, que não há como conter a corrupção parlamentar. “Auri sacra fames, quid non mortalia pectora cogis?!” – “a que não constranges a alma humana, oh maldita fome de ouro!”

·      A iniciativa de instalar ciclovias na cidade é desafiante pela topografia da zona urbana, mas principalmente por que exige postura mais humana dos condutores de veículos. Com mais ou menos dificuldade, vale a pena executar a primeira fase  do projeto.  

Fonte: Jurisul

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