Crônicas

01/05/2014

CÃES EM ALTA

A mídia estadual recalcitrou durante  três dias e três noites sobre a priorização, ou foco de pauta, diante  de um fato inusitado: o cão fiel que aguardava seu dono  do lado de fora do hospital que atendia o dito homem. Em princípio, nada  de mais nobre e edificante neste crescente modo de observar a vida dos  seres terrestres,  quando os comunicadores  perceberam que o cão, companheiro de um andarilho, debruçava-se sobre  as patas com olhar melancólico e solitário. E foram repetidas alusões  ao tema que se prenunciava  recorrente pela atitude do cão companheiro. Lá no terceiro dia,  após a insistente espera  do cão,  que virou  celebridade midiática, alheio à transformação, vieram outros  detalhes que ocuparam pequena parte do noticiário. Constatou-se  que o dono do cachorro era um ser humano, também sofrido, e doente, que ali estava internado recebendo tratamento intenso acudido de vários males. Aquele homem, que  foi  reapresentado a seu cão (já célebre) foi revelado, ligeiramente,  como beneficiários do SUS, e que vinha recebendo atenção de enfermeiros e médicos, com internação hospitalar. Na  rápida  aparição do assistido pelo sistema estatal de saúde, ficou a impressão de um bom e digno atendimento. Em nosso modesto entender não existe fato mais nobre do que uma pessoa  sem recursos receber a  atenção gratuita  do seu país e ressurgir renovado. E se, num segundo momento, este beneficiário sair para a vida e tiver um cão companheiro, isso  será muito bom. Mas, o mais importante é a postura da entidade que o acolheu e lhe devolveu a  saúde o quanto possível. Este  fato, obrigação social do Estado, pode não ganhar  manchete na  escalada equivocada dos valores, mas é  fundamental e digno de ser conhecido pela população. Sempre tive apreço por cães, animais de enorme afetividade, e mais ainda pelas  vacas leiteiras. Mas, a atenção ao  ser humano, com  a vênia dos pauteiros, é  muito mais edificante.

 

Trabalhador

Mesmo  que não seja papo da moda (estigma capitalista), desde menino incluo-me  entre os  que  se  sentem honrados por trabalhar. Por isso, um  dos acintes culturalmente graves na  ditadura de 64, foi a obliteração do  significado,  sob ridícula  censura, de  datas sagradas para a população civil, como é o dia do trabalho. Digo obliteração porque foram sonagadas (na ditadura) celebrações de verdadeiras memórias. Enfim, neste período horrendo para a cultura, tudo o que inspirasse a força  e grandeza  coletiva do trabalhador  era considerado insidioso, ou comunista. Era praticamente  proibido falar-se em Getúlio Vargas - presidente que editou legislação criando o salário mínimo em 1940 e criou a Justiça do Trabalho  em 1941.  

 

Trabalhador – II

Com o massacre de operários em Chicago (1886), o dia 1º de maio foi consagrado mundialmente, inclusive no Brasil, a partir de 1925, por ato do então presidente Artur Bernardes. As lépidas transformações eletrônicas no trabalho não podem diminuir o valor histórico da luta pelos direitos  do trabalhador.

 

Retoques:

·      Lamentavelmente não pude comparecer ao  encontro com Juremir Machado, lembrado pelo professor José Ernani de Almeida. Em Passo Fundo o púgil e  competente jornalista discorreu sobre o tema de  sua obra que aborda a participação da mídia, sociedade civil e militar, nos tempos da ditadura. Além de sua coragem moral, Juremir é voz soberana na  arte do vernáculo como vergasta implacável que se opõe à mediocridade memorial.

·      Se o palanque político exagera nas promessas, não é menos vicária a ação dos economistas que criam expectativas ilusórias favorecendo nichos de investimentos ao orquestrarem notícia favorável à  especulação. Agora, por exemplo, economistas apregoam disparada no preço dos alimentos. Na  verdade, há  retração no consumo de carnes de porco, aves e  de boi. Tendência é baixar o preço, caso o  consumo externo não incremente novas exportações. Então, cuidado com os economistas! Eles podem ser mais voláteis que os palanques eleitorais (ou eleiçoeiros).   

Fonte: Jurisul

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